O enigma da trincheira e a segregação socioespacial do Bairro Padre Ulrico.

Por Rogério Rech 22/02/2020 - 13:33 hs
Foto: Raquel de Meira

O enigma da trincheira e a segregação socioespacial do Bairro Padre Ulrico.

            Ninguém conhece melhor a periferia do que aqueles que nela residem, no entanto, se tivermos interesse podemos entender algumas coisas quando ultrapassamos as trincheiras. Uso o conceito de trincheira em dois sentidos: um literal (a trincheira do prefeito) e outro figurado (a trincheira ou buraco da separação, a segregação socioespacial). Vamos ao mapa do Padre Ulrico.

Figura 01: O Bairro Padre Ulrico em Francisco Beltrão – PR.


Fonte: Construção do autor, com a colaboração de Raquel de Meira.

 

            No sentido denotativo, o Bairro Padre Ulrico está separado da cidade de Francisco Beltrão pela Rodovia PR 180 e pelo Rio Marrecas, os principais limites. Há apenas uma entrada/saída do Bairro, ou seja, uma trincheira que está sendo construída. Formou-se um gueto, ou seja, lugar quase obrigatório para os pobres, que ultrapassa a ideia de periferia, não há como expandir o bairro. Antes de qualquer crítica é preciso elogiar a construção da trincheira, uma obra, como dizem os políticos “um canteiro de obras”, mas não é só isso.

            Então, vem outro sentido de trincheira, ou seja, o da separação e da marginalidade. Como “ligar” a periferia ao centro e outros bairros, nas obras, mas também culturalmente. Pelas obras o mais viável seria pontes que ligariam o Padre Ulrico à Cidade Norte. Muitos moradores da Cidade Norte sentem-se constrangidos com a ideia, mas veja, são dez mil habitantes que poderiam circular naquele espaço, comprando nas pequenas lojas, com pontes iluminadas com segurança reforçada etc.

            Mas, e o problema de aproximação cultural entre periferia e o centro cidade? Esse é um caminho difícil. Para facilitar apresentamos uma figura elucidativa para podemos explicar.

Figura 02: Construção da trincheira no Bairro Padre Ulrico, adaptando a figura da esfinge.