Os negacionistas beltronenses, são um risco à saúde pública - Conexão Beltrão

Por João Fruhauf Machado 29/04/2020 - 16:31 hs
Foto: Conexão Beltrão

Os negacionistas beltronenses, são um risco à saúde pública - Conexão Beltrão


Em meio a uma epidemia que já atinge 71.886 pessoas, que já matou 5.017 e que tem crescido exponencialmente, um fenômeno estranho tem ocorrido nas redes sociais: há negacionistas científicos que dizem que a COVID19, simplesmente não existe ou que "não é tudo isso".


Os argumentos, como se imagina, são conspiracionistas. Alegam um plano maior para a destruição do atual governo ou de nossa economia. O problema desses argumentos, são de que eles não consideram que a pandemia tem destruído a economia global sistematicamente e, de forma ampla, nenhum país está livre do problema.


A negação de que a epidemia no Brasil é verdadeira e grave, também desconsidera os milhares de exames que já tiveram testagem positiva, incluindo os de pessoas que vieram a falecer, isso sem falar das subnotificações. Seria tudo conspiração também? De quem seria o interesse em sabotar nossa própria economia? 


E suponhamos que sim, os exames sejam mentirosos, por quais motivos os cemitérios de São Paulo, Manaus e Rio de Janeiro, estariam enterrando o triplo e às vezes até mais de mortos, do que em tempos normais? Tudo coincidência? Manaus está quase sem caixões, a ponto de pedir ajuda ao Governo Federal!


A página da própria Conexão Beltrão tem recebido comentários negacionistas que, visam fazer pressão para que notícias relativas à COVID19, não tenham continuidade. Percebo uma tendência, inclusive, de uma amenização das manchetes de outros órgãos de imprensa do município. 


Mas afinal, por qual motivo haveria tantos negacionistas em Francisco Beltrão? A resposta me parece bastante óbvia, um dos motivos aponta para a política, o outro, para interesses econômicos.


 O primeiro motivo se dá,  a partir do apoio incondicional ao atual presidente pelos seus mais fiéis eleitores. Alguns deles, preferem fechar os olhos às evidências, acompanhando e repetindo o discurso do presidente da República, que pede o retorno normal das atividades econômicas, como se problema algum houvesse.


O segundo motivo se dá por questões econômicas. Mesmo com o decreto de Fontana, algumas pessoas (normalmente autônomos e empresários) veem riscos aos seus ganhos, seja por um novo fechamento ou por diminuição das atividades atuais, que já estão baixas. Prefiro acreditar que eles realmente acham que essa pandemia não é nada.


Mas acreditando ou não, negar a existência dessa adversidade, pode causar neste momento um afrouxamento dos cuidados individuais por parte da população. Quem comprar esse discurso dos negacionistas, pode passar a sair mais frequentemente, pode ignorar a higiene das mãos, parar de passar álcool em gel, deixar o uso das máscaras. Para que o problema não se torne ainda maior, a negação da existência e gravidade da COVID19, tem que ser duramente combatida por todos aqueles que ainda tem um pingo de consciência e preocupação com os próximos. E que se respeite a informação passada pela mídia, afinal, durante a pandemia, ela tem sido uma das principais educadoras.


Texto de: João Fruhauf Machado- mestre em Geografia pela Unioeste.