Em dificuldades, economia de Beltrão também precisará de ajuda estatal

Por João Fruhauf Machado 18/05/2020 - 16:50 hs
Foto: PMFB

Em dificuldades, economia de Beltrão também precisará de ajuda estatal


Sob a política ultraliberal de Paulo Guedes, o ano de 2019 teve uma retomada tímida da economia brasileira, com criação de 644.079 empregos formais e aumento de apenas 1,1% do PIB. Porém, o Paraná foi o quarto estado a criar mais empregos formais no país, que são a diferença entre as demissões e admissões com carteira assinada. O estado criou 51.441 vagas de 2.655.253 existentes, de acordo com o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).


 Na região sudoeste do Paraná, ainda segundo o CAGED, o município de Pato Branco, com 82.881 habitantes (IBGE-2019), se destacou com um saldo positivo de 2.159 empregos formais. Já Francisco Beltrão, com 91.093 habitantes (IBGE-2019), se destacou de forma negativa, pois teve um saldo positivo de apenas 344 vagas de trabalho, ficando atrás até mesmo do município de Dois Vizinhos (40.641 habitantes:  IBGE-2019), que criou 378 vagas. É verdade que houve município com resultado muito pior, como por exemplo, Palmas, que teve saldo negativo de 571 vagas formais.


 Com o novo coronavírus e as incertezas do mercado, a tendência para Francisco Beltrão é de que a economia que já vinha patinando  em 2019, tenha um  2020 pior. Embora ainda não haja dados, muitos empresários já falaram abertamente em demissões desde meados de março, com o primeiro fechamento do comércio local, isto, para tentar diminuir os prejuízos das poucas vendas e serviços que têm se concluído. 


Perguntado sobre as tendências econômicas no pós-coronavírus para o município, o professor de Geografia Econômica na Unioeste e doutor em Geografia, Fernando Sampaio, disse que "é difícil responder sem entender melhor o impacto causado na economia local pelo isolamento social. De forma geral, o que se tem como possibilidade de políticas para retomar crescimento está no âmbito federal. No caso atual seria a impressão de moeda e amplos programas de ajuda para famílias e empresas. Sem isso, dificilmente conseguiremos ir adiante. O caso de Beltrão tem a vantagem de em grande parte ser ligada ao agronegócio - tanto o 'familiar' quanto o 'empresarial - o que permite a vinda de recursos externos, que não sofreram tanto com o isolamento. O comércio vai sofrer mais por conta do desemprego, mas isso não será específico de Beltrão".


O professor ainda chama a atenção para o setor industrial de Beltrão, que com incentivos, pode girar a economia local.


"De forma geral, o que se tem que incentivar é a criação de empregos industriais, que têm melhores remunerações e, portanto, movimentam o setor de serviços e o comércio" disse Sampaio.


E falando em serviços e comércio, segundo informações da ACEFB, algumas empresas como as de turismo de Francisco Beltrão, tiveram aproximadamente 90% de diminuição no movimento habitual, imagine o estrago que isso é capaz de fazer.  Com os danos já concretizados, não só aqui, mas em todo o Brasil, vai ficando claro que a iniciativa privada não poderá sair dessa situação sozinha, principalmente se houver demora da descoberta de uma vacina efetiva contra o novo coronavírus.


Empresas com caixa estão queimando alguma "gordura" agora e, se beneficiando dos poucos incentivos federais, mas isso tem prazo de validade. Por melhor que estejam os planejamentos de alguns negócios, os resultados negativos aparecem, entre eles, as demissões.


Intervenções estatais para a contenção dos danos, nas esferas municipal, estadual e federal, têm sido quase unânimes entre os economistas. Até os liberais têm concordado com isso e, Francisco Beltrão, não escapa dessa necessidade. E olhe que nem falamos dos trabalhadores informais…


Por: João Fruhauf Machado/ mestre em Geografia pela Unioeste.